10 julho, 2014

Assinado decreto que libera uso de área para Ile Axé Reino de Oxum

Assinado decreto que libera uso de área para Ile Axé Reino de Oxum


Prefeito José Fortunati recebeu Mãe Maria e demais integrantes do centro

O prefeito José Fortunati assinou, na segunda-feira, 7, em solenidade no Salão Nobre do Paço Municipal, decreto de permissão para uso de área para o Centro de Umbanda e Culto Africano Mãe Maria de Oxum. A mudança foi necessária devido às obras de duplicação da avenida Tronco. “Construímos uma solução que reconheceu a legitimidade e garantiu o direito das pessoas frequentarem seu culto religioso”, afirmou o prefeito, antes de entregar, simbolicamente, as chaves do novo endereço, próximo ao local de origem, na avenida Carlos Barbosa.
Fortunati lembrou que, mesmo considerando a importância da obra de mobilidade urbana na avenida Tronco, não deixaria de respeitar aqueles que ali residiam, ao ser viabilizada, com benefícios importantes, como corredores de ônibus, BRTs e ciclovias. Para tal, seria necessário o deslocamento de 1.550 famílias. “Nosso compromisso, desde o início, foi o de respeito a moradores e casas de religião. Esse não foi o único caso, um primeiro impasse surgiu com a casa do Pai Cleon, quando possibilitamos uma solução técnica, permitindo mudança em uma rótula da avenida”, disse o prefeito.
O secretário municipal de Direitos Humanos, Luciano Marcantônio, destacou que a fé de Mãe Maria contagiou a administração municipal para esta importante conquista do povo de terreiro. “A decisão assinada pelo prefeito Fortunati é uma referência nacional, nos garantem os próprios representantes do movimento negro. É com diálogo e respeito que agimos nessas situações”, lembrou o secretário. Ainda em janeiro, foram acordados os encaminhamentos da permuta e das escrituras públicas para a alteração da titularidade dos imóveis.

Mudança foi necessária devido às obras de duplicação da avenida Tronco

Ao final da solenidade, Mãe Maria agradeceu a todos os envolvidos, tanto na administração municipal quanto a representantes do Legislativo, presentes ao ato e que haviam se mantido parceiros pela solução que acabou acontecendo. Também participaram a secretária municipal de Direitos Humanos adjunta do Povo Negro, Elisete Moretto, o diretor-geral em exercício do Departamento Municipal de Água e Esgotos, Ronaldo Napoleão, o diretor-geral em exercício do Departamento Municipal de Habitação, Marcos Botelho, o presidente do Conselho Municipal dos Direitos do Povo Negro, Victor Hugo Amaro, e representantes do Legislativo Municipal.

Fonte: PMPA

28 maio, 2014

PROJETO AWON OMODE






O projeto Omodes busca produzir uma ação cultural de prevenção do HIV/Aids, DSTs na Comunidade Terreira Ilê Asé Iyemonjá Omi Olodo, junto com as parcerias (outras comunidades e equipamentos do SUS) e por conseguinte para a população vivenciadora das comunidades Terreiras de Porto Alegre, através de um grupo comunicador, capacitado pelo projeto, sendo o interlocutor com a população alvo e de risco e o SUS, com metodologia próxima ao Povo de terreiro, dentro da simbologia, mitologia e visão de mundo que estes acreditam e vivem.



15 maio, 2014

E COMEÇA O XVI 'GONGO....

E COMEÇA O XVI 'GONGO.... 


Começa o XVI R’Gongo, XVI mostra cultural de matriz africana, que acontece durante a Festa do Vovô Cipriano de Angola, no Ilê Asè Iyemonja Omi Olodô. 


Em cada edição da Festa do Vovô é abordado um tema diferente referente a história, a cultura, a ancestralidade negro africana.
Neste ano, a mostra traz a temática N’GALA – ODARA – O corpo como um continuum ancestralico: ética e estética negro-africana, com o objetivo de pensar coletivamente a estética afrodescente e sua relação com a cosmovisão negro-africana na diáspora. 





Nesta terça-feira, dia 13/05/2014, foi realizada a abertura da R’Gongo, a festa começou com o cânticos em louvor a ancestralidade e a vida com toque dos tambores. A evocação da potencialidade ancestralica deu o tom para realização das atividades da semana, indicando uma semana produtiva de discussão, (des)construção e alegria. 

Baba Diba de Iyemonja dá boas vindas aos presentes e fala da satisfação de homenagear mais uma vez as entidades que trazem a nossa identidade e por isso, tanto sabem 'falar de nós para nós', da nossa beleza negra e do nosso jeito de ser e viver.

O tema abordado nesta noite foi “Como empreendemos e como construímos nossas concepções de estética na diáspora?”. O assunto foi abordado de forma baste participativa pelo Baba Egbe do Terreiro, contra-mestre Guto Obafemi, que apresentou dois vídeos como disparo inicial, para deslocar locar nossas percepções relativas a forma como nos vestimos, a forma e conteúdo que consumimos, a forma como nos enxergamos ou não no aparato midiático e da indústria cultural. 

Assim, a partir dos vídeos “Vista minha pele” e do “Comparando bonecas”, que apresenta a experiência realizada com crianças em relação a sua percepção de atributos da boneca branca e da boneca negra, o grupo de cerca de 60 pessoas foi dividido em três grupos para escrever suas sensações e entendimento sobre a questão. A dinâmica foi encaminhada para uma construção propositiva, ou seja, como podemos mudar a situação atual de desvalorização e invisibilidade da cultura, da beleza, da pele, do corpo, da estética negro-africana? Os grupos trouxeram uma série de proposições, entre elas a imersão nessa vivência que  é proporcionada pelo XVI R’Gongo.
A atividade foi encerrada com o delicioso e tradicional Angu do vovô.

09 maio, 2014

PRIVATIZAÇÃO DO CAIS DO PORTO DE PORTO ALEGRE O QUE O POVO DE TERREIRO TEM A VER COM ISTO?

PRIVATIZAÇÃO DO CAIS DO PORTO DE PORTO ALEGRE
O QUE O POVO DE TERREIRO TEM A VER COM ISTO?

 *Por Baba Diba de Iyemonja

Em tempos de I Conferencia Estadual de Povo de Terreiro do RS, realizada em Porto Alegre em março deste ano, e também quando o racismo entra em pauta nas mídias e redes sociais provocado por ações em partidas nos campos de futebol, nos deparamos com mais uma surpresa: A privatização do Cais do Porto de Porto Alegre todo o peso do racismo que isto representa.

O “passeio”, ato tradicional, que se repete há quase 300 anos, mantido pelos terreiros de Batuque do RS. Ocorre após recolhimento por oito ou dezesseis dias de Omorisas ( filhos e filhas de santo em processo iniciático) que ficam sem contato com o mundo externo neste período. O “Passeio” representa uma ressocialização simbólica dos iniciados, quando visitando o Cais do Porto, na antiga Doca dos Bombeiros, como reverencia aos ancestrais (negros e negras escravizadas) que ali aportaram e por ali tombaram, assim como reverenciar às divindades das águas (Osun, Iyemonja, Osala). Após dirigem-se ao Mercado Público para reverenciar “ESU”, o “Bará, senhor do Mercado”, por conta de ali estarem as relações sociais e nele se concentrar “tudo que a boca come”, num sentido de fartura e prosperidade para o iniciado.


Ao fazer o passeio com filhos, filhas, netos e netas de Axé, ao nos dirigir Cais pelo Portão de hábito, fomos surpreendido pelo guarda que nos impediu a entrada, por ordem da nova administração, fazendo referencia ao arrendamento do Cais do Porto por 25 anos à iniciativa privada. O guarda foi irredutível. Sugeriu que estacionássemos fora das dependências do Cais e entrássemos pelo túnel-acesso que une a volta do Mercado ao Cais Mauá. Assim o fizemos. Ao adentrar no espaço do Cais, outro guarda, desta vez negro, por que é assim que o sistema racista age, colocando nossos iguais para o enfrentamento, tentou nos impedir de chegar até o Cais. Obviamente que desta vez não aceitamos, e nos dirigimos à doca para nossas rezas de agradecimento e sugerimos a ele que então chamasse a polícia, o que ele não fez. Fizemos nossas rezas, oferecemos flores, agradecemos, mas não sem sentir a violência e humilhação da sensação de estar transgredindo alguma Lei. Quem vai reparar este constrangimento coletivo?

Um dos debates que foi marcante na Conferencia Estadual de Povo de Terreiro, diz respeito à territorialidade negada historicamente ao Povo Negro e consequentemente ao Povo de Terreiro. Por mais que tenha sido arrendado o espaço público do Cais do Porto, ainda assim é um bem público pertencente ao Povo gaúcho. Como podem vilipendiar, violentar um direito humano de expressar o seu sagrado? Esta é mais uma violência à nossa ancestralidade que com certeza não vamos suportar calados, ato de racismo institucional e intolerância Religiosa institucional que não pode ser mantido.

O nome desta violência vem sob o nome de “revitalização” que, para nós, nada mais é do que mais um ato arbitrário e de racismo, que fazem sem consultar os cidadãos e cidadãs que são os maiores interessados em melhorias de espaços urbanos.

Nós Povo de Terreiro não podemos aceitar tamanho ato de marginalização e criminalização das nossas práticas sagradas mais uma vez, colocando o estado à serviços do racismo e da intolerância religiosa.

Que as autoridades e órgãos competentes tomem as devidas providencias para barrar mais esta violência contra o nosso povo.

Basta de racismo e chega de Intolerância Religiosa. Exigimos respeito!

Porto Alegre, 08 de maio de 2014.


* Baba Diba de Iyemonja é o nome Religioso de Valmir Ferreira Martins, acadêmico de Saúde Coletiva pela UFRGS – Babalorixa do Ile Ase Iyemonja Omi Olodo – Vice Presidente da OSCIP Africanamente – Centro de Pesquisa, Resgate e Preservação de Tradições Afrodescentes, Membro da Executiva do Comitê Estadual de Povo de Terreiro , Diretor da ESTAF – Escola Olodumare de Filosofia e Teologia Afrocentrada e Coordenador da RENAFRO-SAÚDE-RS.

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